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\chapter{Saúde e autocuidado mental no mundo digital}
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No quesito de saúde mental, a bipolaridade ou pelo seu nome científico,
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Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma das doenças mentais mais comuns e
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responsável por uma gama muito grande de disfunções mentais. De acordo com os
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dados da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2017), afeta 0,5\% da população
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mundial. No contexto do Brasil, a bipolaridade, segundo os dados da Associação
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Brasileira de Psiquiatria, estima que a bipolaridade aflige cerca de 2\% da
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população, equivalente à uns 4,26 milhões de pessoas. Esse número, embora soe
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pouco expressivo, levando em consideração o contingente de pessoas no país, é
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preocupante, dado o fato de que a bipolaridade é (1) complexa de se detectar e
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(2) muitas vezes, acaba passando despercebida ou enquadrada dentro de um quadro
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de depressão unipolar (depressão). Ademais, portadores de TAB estão fortemente
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associados a comorbidades e hospitalizações, com cerca de 15\% dos portadores
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de TAB cometendo suicídio (JUDD et al. 2002). Com esse recorte em mãos, os
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principais tratamentos, para além da medicação adequada, são atividades
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físicas/exercícios regulares, rotinas estruturadas de sono, acompanhamento
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psicoterapêutico, e, sobretudo, monitoramento constante do humor. O auto
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registro diário é reconhecido como ferramenta essencial para antecipar
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episódios maníaco/depressivo, facilitando intervenções imediatas antes da crise
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plena (HORN et al. 2022). Nesse contexto, o uso de tecnologias digitais tem se
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mostrado uma via promissora para sistematizar esse tipo de acompanhamento.
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Pesquisas indicam que pessoas com transtornos do espectro bipolar demonstram
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maior adesão ao monitoramento emocional quando este é feito de forma acessível,
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visual e integrada ao seu cotidiano (IWAYA et al., 2019).