\chapter{Nexo} O aplicativo proposto por esse trabalho, denominado “Orbit”, se propõe a ser uma aplicação para dispositivos móveis, de forma a preencher essas lacunas demonstradas tanto pelo questionário, quanto também tentando preencher as questões analisadas em outros sistemas similares. Como mencionado anteriormente, o sistema é direcionado para pessoas com TAB, e portanto, o nome reflete essa escolha, visto que, um determinado objeto celeste em órbita de outro possuí duas fases: apogeu e perigeu. Define-se apogeu como “o ponto mais alto, supremo ou máximo de algo” (APOGEU, 2025). É um ponto de destaque, marcado pelo auge, prosperidade, influência ou excelência em uma determinada área ou contexto. Enquanto o segundo termo, define-se como “distância real ou aparente, de um astro, quando mais se aproxima da Terra”. O mesmo poderia ser utilizado de forma metafórica para descrever as duas fases da bipolaridade, a mania e a hipomania. A partir das demandas identificadas na pesquisa e dos princípios estabelecidos para este projeto, delineia-se um sistema de monitoramento de humor centrado no usuário, com ênfase em personalização, privacidade e utilidade reflexiva. O funcionamento do sistema parte da premissa de que o humor não é uma variável universal, mas sim composto por elementos subjetivos que variam entre indivíduos. Assim, fundamentalmente para cada entrada no diário, o usuário pode indicar que componentes de humor ele percebe em vigência naquele momento, como “raiva”, “tristeza”, “felicidade”, etc., elementos que ele considera mais representativos de seu estado emocional, permitindo um mapeamento mais fiel da sua experiência. O monitoramento, pode ser gerado em diversos momentos do dia e flexível: o usuário poderá escolher entre registrar suas emoções por meio de escrita livre, e usar uma escala que possa indicar o que ele percebe como indicadores dos níveis de estresse e ansiedade. Associado a isso, o sistema permitirá a entrada de gatilhos e eventos significativos, sejam positivos ou negativos, que poderão ser posteriormente correlacionados com os estados de humor, permitindo identificar padrões ou ciclos. A esses dados podem ser associadas intervenções leves, como sugestões de autorreflexão, lembretes de autocuidado, ou apenas mensagens-resumo, todas ajustáveis conforme a preferência de tom do usuário. Outro ponto essencial é a exportação de dados em formatos acessíveis, garantindo que o usuário tenha controle e mobilidade sobre suas informações, algo frequentemente negligenciado em sistemas fechados. Além disso, a ferramenta será open-source, garantindo transparência de funcionamento, possibilidade de auditoria e fomento a melhorias comunitárias, especialmente importantes no contexto de tecnologias sensíveis à saúde mental. Essas características formam a base de um sistema comprometido com o bem-estar, o respeito à individualidade e a soberania dos dados pessoais. Com base nas funcionalidades listadas, pode-se definir os requisitos funcionais e não funcionais no qual o sistema deve necessitar. \section{Classificação dos Requisitos} Como observado por Sommerville (2011, p. 85), “Os requisitos de um sistema são as descrições dos serviços que o sistema deve prestar e as restrições à sua operação”. Portanto, requisitos são declarações articuladas descrevendo de forma clara o que o sistema deve ser capaz de fazer para satisfazer as necessidades postas anteriormente. São definidas em duas categorias: requisitos funcionais que descrevem o comportamento e funções do sistema e requisitos não funcionais que descrevem os critérios específicos que podem ser usados para avaliar o bom funcionamento do sistema. A separação entre requisitos funcionais e não funcionais permite uma estrutura clara para priorização, testes e validação do projeto, respeitando tanto os objetivos técnicos quanto éticos da proposta. Logo a seguir, serão abordados com mais detalhes cada um deles. \subsection{Requisitos funcionais} Os requisitos funcionais dizem respeito às funcionalidades centrais do sistema, ou seja, declarações de tudo o que o sistema deve e está proposto a fazer e reagir. Sommerville reforça esse aspecto: \begin{quote} [...] Requisitos funcionais do sistema variam de requisitos gerais, que abrangem o que o sistema deve fazer, até requisitos muito específicos, que refletem os sistemas e as formas de trabalho em uma organização. \cite[p.~59]{sommerville:2010} \end{quote} Portanto, diante das funcionalidades previstas, que foram anteriormente listadas, no Quadro 2 é apresentado os requisitos que o sistema deve fornecer: