\chapter{Considerações Finais} Este trabalho partiu de uma lacuna identificada na interseção entre o autorregistro de humor e o cotidiano de pessoas com Transtorno Afetivo Bipolar: embora o \textit{Ecological Momentary Assessment} ofereça um caminho consolidado para reduzir os vieses de memória e aproximar o registro do momento em que a experiência ocorre, os aplicativos disponíveis frequentemente fragmentam sono, humor, gatilhos e ações de cuidado em telas isoladas, restringem a exportação dos dados e operam como soluções fechadas, com pouca transparência sobre o uso das informações sensíveis que coletam. Para responder a essa lacuna, foi desenvolvido o Nexo, uma aplicação móvel de código aberto que integra esses registros em uma única linha do tempo e produz indicadores destinados a auxiliar o usuário na percepção de padrões ao longo do tempo. O sistema é composto por uma API REST e por um aplicativo móvel, ambos escritos em TypeScript, com processamento de indicadores em segundo plano, implantação automatizada e uma suíte de testes concentrada na API, conforme descrito ao longo dos capítulos anteriores. A pesquisa aplicada de natureza exploratória orientou as decisões de projeto. O questionário aplicado a 48 potenciais usuários, apresentado no Capítulo~\ref{chapter:methodologies}, e a análise de aplicativos similares forneceram os insumos que sustentaram a definição dos requisitos, da identidade visual e da organização do sistema, bem como a adoção do modelo incremental com princípios ágeis e \textit{Kanban} no desenvolvimento. Diante disso, conclui-se que os objetivos propostos foram alcançados: o protótipo funcional entregue demonstra a viabilidade de uma solução de autorregistro alinhada aos princípios de privacidade, transparência e autonomia do usuário sobre os próprios dados. O trabalho, contudo, apresenta limitações que devem ser explicitadas. A verificação do aplicativo móvel permanece majoritariamente manual e com uma suíte \textit{end-to-end} fina, de modo que regressões na interface podem ser incorporadas ao código sem que nenhum teste acuse, como discutido no Capítulo~\ref{cap:testes}. A amostra do questionário é, por conveniência, e não pode ser generalizada; além disso, o protótipo ainda não foi submetido a uma avaliação com usuários reais, o que deixa em aberto a confirmação de que as escolhas de interface e de tom atendem, de fato, ao público-alvo. Por fim, algumas decisões sensíveis --- como o rótulo de estabilidade apresentado nos indicadores --- permanecem deliberadamente estáticas, aguardando embasamento específico antes de se tornarem funcionais. Os resultados obtidos abrem caminhos de continuidade que, na leitura deste trabalho, merecem prioridade. O primeiro é a reaplicação da pesquisa junto a usuários potenciais: repetir o questionário descrito no Capítulo~\ref{chapter:methodologies} --- ou uma versão adaptada dele --- em uma nova amostra, desta vez acompanhada de um teste do protótipo funcional, permitiria comparar as expectativas registradas em 2025 com a percepção concreta do aplicativo, avaliando usabilidade, tom de comunicação e interesse pelas funcionalidades, e capturando ajustes antes de uma eventual implantação mais ampla. Uma segunda frente é a criptografia no lado do cliente para anotações e registros de humor, de modo que o conteúdo sensível seja cifrado antes de deixar o dispositivo e permaneça inacessível mesmo ao operador do servidor. Essa medida responde diretamente à preocupação com privacidade registrada no questionário, em que a maioria dos respondentes atribuiu nota máxima à importância do controle sobre os próprios dados, e reforça o cenário de auto-hospedagem descrito no Capítulo~\ref{sec:deploy-and-ci}. A terceira frente é ampliar a testabilidade do aplicativo móvel, hoje verificado de forma predominantemente manual (Seção~\ref{sec:test-mobile}). Extrair a lógica de apresentação e de agregação em camadas testáveis, adotar testes de componente e integrar \textit{lint}, verificação de tipos e a suíte \textit{end-to-end} ao fluxo de integração contínua reduziria o risco de regressões invisíveis e aproximaria o nível de confiança do \textit{frontend} àquele já alcançado pela API. Além dessas, as lacunas apontadas na Seção~\ref{sec:test-gaps} --- como a maquinaria da fila fora do alcance dos testes e a duplicação manual dos dados de teste --- sugerem ajustes de menor porte, porém de impacto relevante na manutenibilidade do projeto a médio prazo.