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Pedro Lucas Porcellis porcellis@eletrotupi.com · 5 months ago
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monografia/chapters/contextualization.tex
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\chapter{Saúde e autocuidado mental no mundo digital}
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No quesito de saúde mental, a bipolaridade ou pelo seu nome científico,
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Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma das doenças mentais mais comuns e
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responsável por uma gama muito grande de disfunções mentais. De acordo com os
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Brasileira de Psiquiatria, estima que a bipolaridade aflige cerca de 2\% da
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população, equivalente à uns 4,26 milhões de pessoas. Esse número, embora soe
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pouco expressivo, levando em consideração o contingente de pessoas no país, é
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preocupante, dado o fato de que a bipolaridade é (1) complexa de se detectar e
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(2) muitas vezes, acaba passando despercebida ou enquadrada dentro de um quadro
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de depressão unipolar (depressão). Ademais, portadores de TAB estão fortemente
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associados a comorbidades e hospitalizações, com cerca de 15\% dos portadores
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de TAB cometendo suicídio (JUDD et al. 2002). Com esse recorte em mãos, os
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principais tratamentos, para além da medicação adequada, são atividades
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físicas/exercícios regulares, rotinas estruturadas de sono, acompanhamento
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psicoterapêutico, e, sobretudo, monitoramento constante do humor. O auto
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registro diário é reconhecido como ferramenta essencial para antecipar
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episódios maníaco/depressivo, facilitando intervenções imediatas antes da crise
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plena (HORN et al. 2022). Nesse contexto, o uso de tecnologias digitais tem se
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mostrado uma via promissora para sistematizar esse tipo de acompanhamento.
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Pesquisas indicam que pessoas com transtornos do espectro bipolar demonstram
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maior adesão ao monitoramento emocional quando este é feito de forma acessível,
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visual e integrada ao seu cotidiano (IWAYA et al., 2019).
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de depressão unipolar (depressão).
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Ademais, portadores de TAB estão fortemente associados a comorbidades e
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hospitalizações, com cerca de 15\% dos portadores de TAB cometendo suicídio
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(JUDD et al. 2002). Com esse recorte em mãos, os principais tratamentos, para
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além da medicação adequada, são atividades físicas/exercícios regulares,
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rotinas estruturadas de sono, acompanhamento psicoterapêutico, e, sobretudo,
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monitoramento constante do humor. O auto registro diário é reconhecido como
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ferramenta essencial para antecipar episódios maníaco/depressivo, facilitando
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intervenções imediatas antes da crise plena~\cite{Faurholt:2016}.
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Nesse contexto, o uso de tecnologias digitais tem se mostrado uma via
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promissora para sistematizar esse tipo de acompanhamento. Pesquisas indicam que
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pessoas com transtornos do espectro bipolar demonstram maior adesão ao
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monitoramento emocional quando este é feito de forma acessível, visual e
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integrada ao seu cotidiano~\cite{Iwaya:22}.
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Historicamente, a prática da escrita reflexiva tem sido aplicada como mecanismo
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de autocuidado. As suas raízes são antigas e permanentes, de forma que
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filósofos gregos, como Sêneca e Marcus Aurelius mantinham diários com o
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objetivo de revisar ações e promover uma espécie de meditação moral e
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autotransformação, para além de servir como um espaço de notas pessoais. Já, na
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era moderna, com o desenvolvimento da psicanálise e uma melhoria na compreensão
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afetiva, vemos surgir técnicas como a da journal therapy (Progoff, 1996),
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mecanismo que sistematiza o uso da escrita como forma de promover bem estar
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emocional. Formas de auto registro ganham ainda mais um fator elementar dentro
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com o desenvolvimento da psicologia cognitivo-comportamental (TCC), da qual
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aprofunda esse elemento como ferramenta para identificação de padrões de
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pensamentos disfuncionais (BECK, 1997).
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Trabalhando ainda com esse fator, o surgimento e desenvolvimento da internet, e
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portanto, o acesso a mesma, inicia-se uma progressiva digitalização do que
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antes era analógico. Processos que eram previamente feitos na caneta e no papel
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passam a ser manualmente migrados para suas respectivas versões eletrônicas.
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Atividades como escrever cartas, manter álbuns de fotografias, consultar
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enciclopédias passam por uma rápida transformação ao longo das últimas três
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décadas. O que antes precisava de um suporte físico é transportado para dentro
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de computadores, tablets e mais recentemente, para os smartphones. Essa
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transformação se insere no que Castells (1999) chama de “sociedade em rede”,
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onde o digital se torna a principal estrutura por onde circula o conhecimento,
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a comunicação e a cultura, fomentando uma interconexão digital de saberes e
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práticas cotidianas.
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Um exemplo marcante que pode ser citado, é a substituição de bibliotecas
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físicas por acervos digitais, como por exemplo a Biblioteca Nacional Digital do
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Brasil, que oferece acesso remoto a obras históricas e documentos raros
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(BIBLIOTECA NACIONAL, 2024). Outro exemplo notável, foi a mudança nos sistemas
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de ensino, que incorporaram ambientes virtuais de aprendizagem, inclusive
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significativamente acelerados pela pandemia da COVID-19, transformando práticas
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educacionais em escala global (HODGES et al., 2020). Na esfera da comunicação
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interpessoal, as cartas deram lugar ao e-mail, e posteriormente, a aplicativos
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de comunicação instantânea como o WhatsApp (LÉVY, 1999; CASTELLS, 2003).
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No âmago do espaço pessoal, planejamento do cotidiano, que envolvia agendas de
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papel, listas de tarefas, cadernos de anotações, foram absorvidas por
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ferramentas digitais, como calendários online e aplicativos de produtividade
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(TURKLE, 2011). Esse processo demonstra que a digitalização, não se mantém
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apenas como um processo técnico e mecânico, mas como um elemento cultural de
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adaptação e reconfiguração das práticas humanas, que caminha para a
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virtualização das experiências (MILLER; HORST, 2012). É nesse contexto, onde o
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cotidiano é constantemente traduzido em dados, que mesmo as informações
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subjetivas, como sentimentos e estados emocionais, que se centraliza a
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transição dos diários pessoais para os registros digitais simples, e
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posteriormente, de forma estruturada, com o surgimento os e-journals ou diários
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digitais marca a virtualização da subjetividade (MOROZOV, 2013; LUPTON, 2016).
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\chapter{Metodologias}
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% TODO: Rewrite this thing, Jesus
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De forma a prosseguir e conseguir viabilizar construir um software com
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qualidade, é necessário adotar algumas metodologias para fundamentar a ideia do
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projeto em si, como primeiro passo. Isso ajuda tanto em como priorizar
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funcionalidades quanto no aspecto de conseguir gerar dados para construir o
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mesmo de forma que entregue o que de fato é necessário para utilização do
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mesmo. Com esses elementos em mente, esse capítulo se debruça tanto na
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abordagem da metodologia de pesquisa do projeto quanto detalhar o método de
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desenvolvimento de software utilizado no projeto.
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\section{Metodologia de Desenvolvimento de Software}
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\section{Metodologia de Pesquisa}
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\subsection{Tipo de Pesquisa}
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\subsection{Instrumento de coleta de dados}
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\subsection{Análise de Similares}
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\subsection{Relação entre os dados coletados e o desenvolvimento}
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