| 1 | \chapter{Metodologias}
|
| 2 |
|
| 3 | % TODO: Rewrite this thing, Jesus
|
| 4 | De forma a prosseguir e conseguir viabilizar construir um \textit{software} com
|
| 5 | qualidade, é necessário adotar algumas metodologias para fundamentar a ideia do
|
| 6 | projeto em si, como primeiro passo. Isso ajuda tanto em como priorizar
|
| 7 | funcionalidades quanto no aspecto de conseguir gerar dados para construir o
|
| 8 | mesmo de forma que entregue o que de fato é necessário para utilização do
|
| 9 | mesmo. Com esses elementos em mente, esse capítulo se debruça tanto na
|
| 10 | abordagem da metodologia de pesquisa do projeto quanto detalhar o método de
|
| 11 | desenvolvimento de \textit{software} utilizado no projeto.
|
| 12 |
|
| 13 | \section{Metodologia de Desenvolvimento de \textit{software}}
|
| 14 |
|
| 15 | Existem diversos métodos de desenvolvimento, cada um com seus respectivos prós
|
| 16 | e contras. Todos tentam, de sua forma, responder à necessidade de dar forma ao
|
| 17 | processo de desenvolvimento, de forma que ele tente fluir e assegurar que os
|
| 18 | requisitos daquele \textit{software} sejam atendidos, que os membros envolvidos
|
| 19 | no processo, tanto de desenvolvimento em si, quanto dos atores envolvidos e
|
| 20 | interessados no sistema tenham seus anseios respondidos de forma minimamente
|
| 21 | transparente e satisfatória.
|
| 22 |
|
| 23 | Além disso, a escolha de uma boa metodologia, adequada para as necessidades do
|
| 24 | sistema, permite que os prazos de entrega sejam melhor controlados e mais
|
| 25 | precisos \cite{pressman:2021}, minimizando a ocorrência de falhas e gestão do
|
| 26 | tempo.
|
| 27 |
|
| 28 | As ideias fundamentais que norteiam esse projeto são baseadas em dois conceitos
|
| 29 | chaves da engenharia de \textit{software}: desenvolvimento incremental e
|
| 30 | desenvolvimento de \textit{software} ágil. O IEEE define que a engenharia de
|
| 31 | \textit{software} é:
|
| 32 |
|
| 33 | \begin{quote}
|
| 34 | Engenharia de \textit{software}: A aplicação de uma abordagem sistemática,
|
| 35 | disciplinada e quantificável no desenvolvimento, na operação e na manutenção de
|
| 36 | \textit{software}; isto é, a aplicação de engenharia ao \textit{software}.
|
| 37 | \cite[p.~67]{ieee:1990}
|
| 38 | \end{quote}
|
| 39 |
|
| 40 | Portanto, a engenharia de \textit{software} propõe estruturar a criação de
|
| 41 | \textit{software} de forma mais organizada e eficiente. Pressman vai destacar
|
| 42 | os modelos de desenvolvimento de \textit{software} sequenciais e incrementais
|
| 43 | que moldam boa parte das práticas de engenharia de \textit{software} nas
|
| 44 | últimas décadas.
|
| 45 |
|
| 46 | O modelo em cascata (\textit{waterfall}) é um modelo sequencial, dos mais
|
| 47 | tradicionais e antigos a existirem, cujo qual necessita que cada etapa –
|
| 48 | levantamento de requisitos, projeto, implementação, testes – estejam concluídos
|
| 49 | antes da próxima etapa começar. Embora forneça uma estrutura rígida e lógica, é
|
| 50 | frequentemente criticado pela baixa adaptabilidade em relação às mudanças
|
| 51 | durante o processo de desenvolvimento.
|
| 52 |
|
| 53 | Em outro âmbito, o modelo incremental, trabalha com a premissa de que um
|
| 54 | desenvolvimento, feito em pequenas porções, agrupam-se para totalizar o projeto
|
| 55 | em si. Trabalho a concepção de incrementos funcionais, permitindo uma maior
|
| 56 | flexibilidade com as mudanças no processo ao todo. Também ajuda a iterar
|
| 57 | rápidamente em cima do desenvolvimento do sistemas, criando um produto mínimo
|
| 58 | viável, que possa preencher a proposta, usando o mínimo de tempo, reduzindo as
|
| 59 | funcionalidades ao seu estado basal. Essa metodologia também ajuda a reduzir
|
| 60 | custos e riscos, já que necessita que as funcionalidades estejam em seu estado
|
| 61 | mínimo, porém funcionais.
|
| 62 |
|
| 63 | Outros modelos tradicionais citados por Pressman incluem o modelo de
|
| 64 | prototipação e o modelo em espiral, o primeiro trabalhando na ideia de
|
| 65 | elaboração de protótipos pequenos que validem a hipótese, e depois passe para a
|
| 66 | implementação final; e o modelo em espiral une a natureza iterativa da
|
| 67 | prototipação com os aspectos sistemáticos do modelo em cascata, sendo que acaba
|
| 68 | por ser um modelo geralmente usado para desenvolvimento de aplicações em larga
|
| 69 | escala, visto que oferece mais segurança ao processo de desenvolvimento. Apesar
|
| 70 | da influência histórica, tais modelos acabam por serem um tanto quanto
|
| 71 | burocráticos e em um projeto com um escopo de equipe reduzida e onde necessita
|
| 72 | um nível de flexibilidade maior, como este, portanto, uma adoção de uma
|
| 73 | metodologia mais flexível se faz necessária.
|
| 74 |
|
| 75 | Pressman, comenta que, por meados de 2001, um grupo de desenvolvedores
|
| 76 | deflagrou o "Manifesto Ágil", um documento desenhando uma nova metodologia de
|
| 77 | desenvolvimento, destacando a satisfação dos patrocinadores do sistema,
|
| 78 | entregas mais rápidas, flexibilidade durante o desenvolvimento do
|
| 79 | \textit{software} de forma a evitar que os desenvolvedores ficaram empacados e
|
| 80 | reduzisse rigidez. Os principais destaques da abordagem ágil é a proposta de
|
| 81 | que a mesma não é escrita em pedra, ou seja, permite flexibilidade no como
|
| 82 | aplicá-la. Nesse cenário, existem algumas abordagens sobre ela, como o
|
| 83 | \textit{Kanban} e o \textit{Scrum}, que dão um pouco mais de forma a ideia
|
| 84 | apresentada com o desenvolvimento ágil o que casa relativamente bem com o
|
| 85 | modelo de desenvolvimento incremental.
|
| 86 |
|
| 87 | Com base nesse panorama, o presente trabalho adota uma abordagem baseada na
|
| 88 | filosofia ágil, estruturada por meio da utilização de um quadro de Kanban,
|
| 89 | adaptado à realidade de um desenvolvimento individual. Diferentemente de
|
| 90 | modelos tradicionais que envolvem um maior formalismo, o \textit{Kanban}
|
| 91 | permite visualizar e gerenciar o fluxo de trabalho de forma contínua, com foco
|
| 92 | na entrega incremental de funcionalidades. Por ser um método não prescritivo, o
|
| 93 | \textit{Kanban} oferece liberdade para que as tarefas possam ser priorizadas,
|
| 94 | ajustadas ou redefinidas conforme a evolução do desenvolvimento, característica
|
| 95 | especialmente útil quando há apenas um desenvolvedor responsável por todas as
|
| 96 | etapas do processo. Vale ressaltar também, que a metodologia adotada acaba por
|
| 97 | ajudar a manter o fluxo de desenvolvimento contínuo sem sobrecarga, já que
|
| 98 | limita a quantidade de tarefas em progresso, gerando um movimento de maior
|
| 99 | produtividade e entregas.
|
| 100 |
|
| 101 | A escolha pelo \textit{Kanban}, portanto, oferece um equilíbrio sustentável
|
| 102 | entre estrutura e flexibilidade, permitindo que o desenvolvimento avance de
|
| 103 | maneira organizada, e sem os entraves burocráticos dos modelos mais rígidos.
|
| 104 | Essa abordagem permite que o projeto se beneficie dos princípios ágeis, tais
|
| 105 | como a entrega contínua de valor, adaptação a mudanças e foco na simplicidade,
|
| 106 | ao mesmo tempo que mantém o controle sobre o progresso e a qualidade do produto
|
| 107 | final.
|
| 108 |
|
| 109 | \section{Metodologia de Pesquisa}
|
| 110 |
|
| 111 | Entende-se por pesquisa científica, a investigação de um fenômeno, de forma a
|
| 112 | encontrar a solução para algum problema \cite{Coelho:2020}. Portanto, a
|
| 113 | metodologia científica se torna o conjunto de procedimentos para esta
|
| 114 | investigação, cujo qual perpassa a coleta e análise de dados. Neste capítulo,
|
| 115 | abordaremos as metodologias adotadas e suas respectivas justificativas, para
|
| 116 | além dos dados encontrados para tal.
|
| 117 |
|
| 118 | \subsection{Tipo de Pesquisa}
|
| 119 |
|
| 120 | Segundo \cite{Lakatos:2022}, a a pesquisa científica pode ser classificada
|
| 121 | quanto aos seus objetivos como exploratória, descritiva ou explicativa. Este
|
| 122 | trabalho caracteriza-se principalmente como uma pesquisa aplicada de natureza
|
| 123 | exploratória, uma vez que busca investigar práticas, limitações e necessidades
|
| 124 | relacionadas a ferramentas digitais para acompanhamento emocional, com o
|
| 125 | objetivo de desenvolver uma solução tecnológica prática.
|
| 126 |
|
| 127 | Conforme Jung (2009), a pesquisa aplicada visa gerar conhecimento para
|
| 128 | aplicação direta em problemas específicos, com interesse prático e utilitário,
|
| 129 | sendo comum em projetos de desenvolvimento de \textit{software}, especialmente
|
| 130 | nas áreas de Sistemas de Informação e Ciência da Computação, nas quais o
|
| 131 | produto final visa resolver uma demanda concreta do público-alvo.
|
| 132 |
|
| 133 | \subsection{Instrumento de coleta de dados}
|
| 134 |
|
| 135 | Como instrumento de coleta de dados, optou-se pela aplicação de um questionário
|
| 136 | estruturado, elaborado com o intuito de compreender hábitos, preferências e
|
| 137 | resistências de usuários em relação ao uso de aplicativos voltados para o
|
| 138 | acompanhamento emocional e práticas de autorreflexão.
|
| 139 |
|
| 140 | A escolha do questionário se justifica pela sua abrangência, agilidade na
|
| 141 | coleta de dados e facilidade de análise quantitativa e qualitativa. Além disso,
|
| 142 | como a amostra é composta por usuários potenciais, a aplicação do questionário
|
| 143 | de forma digital (via um formulário online) permite alcançar um público mais
|
| 144 | amplo com baixo custo e maior comodidade, como também reforça Jung (2009).
|
| 145 |
|
| 146 | O questionário foi bem recebido, e obteve por volta de 52 respostas válidas.
|
| 147 | Como a divulgação foi de forma aberta, existia uma pergunta inicial com uma
|
| 148 | função chaveadora, a fim de verificar se os respondentes se encaixavam no
|
| 149 | perfil de potenciais usuários. Isso se justifica pela natureza sensível do
|
| 150 | tema, que envolve saúde mental e experiências subjetivas.
|
| 151 |
|
| 152 | Na pergunta "Você já teve algum interesse ou experiência com o monitoramento do
|
| 153 | seu humor ou estado emocional?", apenas 8\% afirmaram que não tem e não teriam
|
| 154 | interesse em realizar esse tipo de acompanhamento. Esse dado corrobora outro
|
| 155 | resultado relevante: 53\% dos participantes afirmaram já ter, em algum momento
|
| 156 | da vida, realizado algum tipo de monitoramento de humor.
|
| 157 |
|
| 158 | Em outros horizontes, mais da metade dos participantes expressou interesse em
|
| 159 | acompanhar como o humor varia ao longo do tempo, muitas vezes com sugestões
|
| 160 | explícitas como: “Seria legal ver um gráfico semanal ou mensal do meu humor”.
|
| 161 | Tal observação reforça a receptividade dos participantes em relação à ideia de
|
| 162 | detecção de padrões emocionais, sugerindo que esse tipo de funcionalidade
|
| 163 | representa um diferencial positivo frente aos aplicativos existentes.
|
| 164 |
|
| 165 | É notável que os participantes demonstram uma preocupação recorrente com a
|
| 166 | privacidade dos dados coletados. Aproximadamente 67\% dos participantes
|
| 167 | indicaram desconforto com a exposição de suas informações em plataformas que
|
| 168 | não explicam de forma clara como os dados são usados ou armazenados. Essa
|
| 169 | percepção está alinhada com a literatura sobre saúde digital. Por exemplo,
|
| 170 | \cite{Iwaya:22}, argumentam que a ausência de mecanismos transparentes de
|
| 171 | consentimento, controle e anonimização pode minar a confiança dos usuários em
|
| 172 | aplicativos de bem-estar e monitoramento contínuo de saúde, especialmente em
|
| 173 | contextos sensíveis como saúde mental.
|
| 174 |
|
| 175 | Outro ponto importante revelado pelo levantamento é o desejo por um tom mais
|
| 176 | humano, subjetivo e acolhedor. Cerca de 52\% dos participantes relataram
|
| 177 | incômodo com ferramentas que adotam uma linguagem genérica, motivacional ou
|
| 178 | automatizada demais. Isso reforça a necessidade de uma interface mais empática,
|
| 179 | que valorize tanto a escrita livre quanto a análise assistida. Também foram
|
| 180 | mencionadas sugestões de funcionalidades consideradas excepcionais, como
|
| 181 | inferência automática de ciclos de humor (66\% demonstraram interesse),
|
| 182 | personalização da forma de visualização das informações (como gráficos ou
|
| 183 | comparativos), e integração com dados contextuais ou ambientais, reforçando a
|
| 184 | ideia de um sistema que vá além do simples diário, oferecendo inteligência
|
| 185 | emocional útil, mas sem perder a sensibilidade que o tema exige.
|
| 186 |
|
| 187 | \subsection{Análise de Similares}
|
| 188 |
|
| 189 | A metodologia trata-se de uma avaliação sobre os sistemas relacionados ao tema
|
| 190 | proposto, observando e levantando desafios e possibilidades, validação de
|
| 191 | \textit{softwares} e a satisfação dos usuários (Martins, 2018). Seguindo assim,
|
| 192 | foram pesquisados sistemas similares encontrados na internet com o objetivo de
|
| 193 | realizar uma revisão crítica-reflexiva, analisando os aplicativos que oferecem
|
| 194 | algum tipo de diário digital de humor, ou permite algum acompanhamento
|
| 195 | reflexivo de variações de emoções.
|
| 196 |
|
| 197 | Para realizar esse processo, de forma a simular também um usuário, foi
|
| 198 | pesquisado na Google Play Store \footnote{Google Play Store — Disponível em:
|
| 199 | https://play.google.com}, por \textit{mood tracker}, retornando centenas de
|
| 200 | resultados. Nesse quesito, estabeleceu os seguintes critérios objetivos: (1)
|
| 201 | pode ser um aplicativo em português ou inglês; (2) o aplicativo tem que
|
| 202 | apresentar algum tipo de gráfico das entradas feitas (3) tem que possuir
|
| 203 | entrada textual.
|
| 204 |
|
| 205 | % TODO: Quadro 1
|
| 206 |
|
| 207 | Com esses dados em mente, podemos compreender alguns elementos fundamentais:
|
| 208 | poucos sistemas analisados são open-source, o que indica que, em sua grande
|
| 209 | maioria, são sistemas comerciais. A maior parte dos sistemas também oferecem
|
| 210 | algum aspecto de pagamento, bloqueando funcionalidades importantes atrás de
|
| 211 | algum tipo de modelo de subscrição. Existe também o fato de personalização e de
|
| 212 | exportação de dados, que poucos ou nenhum sistema oferece, o que faz com que o
|
| 213 | sistema não tenha portabilidade dos dados inseridos, criando assim, um walled
|
| 214 | garden, ou um jardim fechado – uma técnica de fazer com que o usuário não
|
| 215 | consiga migrar entre sistemas, prendendo-o a usar aquela aplicação já que seus
|
| 216 | dados estão lá.
|
| 217 |
|
| 218 | \subsection{Relação entre os dados coletados e o desenvolvimento}
|
| 219 |
|
| 220 | A análise dos sistemas similares, quando considerada em conjunto com os dados
|
| 221 | coletados por meio do questionário, revela lacunas e oportunidades relevantes
|
| 222 | para o desenvolvimento de uma nova solução. Observa-se, por exemplo, que a
|
| 223 | maior parte das ferramentas disponíveis no mercado segue modelos comerciais,
|
| 224 | frequentemente com funcionalidades essenciais bloqueadas por sistemas de
|
| 225 | pagamento ou assinaturas. Além disso, é comum que tais sistemas sejam fechados,
|
| 226 | sem disponibilização de código-fonte ou possibilidade de exportação dos dados
|
| 227 | inseridos, o que configura uma prática de \textit{walled garden}, dificultando
|
| 228 | a migração entre plataformas e restringindo a autonomia dos usuários sobre suas
|
| 229 | próprias informações.
|
| 230 |
|
| 231 | Esses aspectos, quando contrastados com o interesse expressivo dos respondentes
|
| 232 | por visualizar padrões emocionais ao longo do tempo e por maior personalização,
|
| 233 | sugerem direções claras para o desenvolvimento de um sistema que não apenas
|
| 234 | atenda a essas demandas, mas também adote princípios de transparência, abertura
|
| 235 | e controle por parte do usuário. A seguir, serão discutidas as decisões de
|
| 236 | projeto que nortearam a construção da ferramenta proposta, baseadas tanto nas
|
| 237 | limitações identificadas nos sistemas existentes quanto nas necessidades e
|
| 238 | expectativas manifestadas pelo público-alvo da pesquisa.
|