| 1 | \chapter{Metodologias}
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| 3 | Como primeiro passo, para conseguir viabilizar construir um \textit{software}
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| 4 | com qualidade, é necessário adotar metodologias que fundamentam a ideia e o
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| 5 | processo. De tal sorte que, ajudem a levantar requisitos, priorizar
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| 6 | funcionalidades, quebrar o escopo em entregáveis que possam ser validados, e
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| 7 | desenvolver o aplicativo/sistema de forma sustentável. Esse capítulo se
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| 8 | debruça, tanto na abordagem da metodologia de pesquisa do projeto, quanto
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| 9 | também detalha o método de desenvolvimento de \textit{software} implementado.
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| 11 | \section{Metodologia de Desenvolvimento de \textit{software}}
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| 13 | Existem diversos métodos de desenvolvimento, cada um com seus respectivos prós
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| 14 | e contras. Todos tentam, de sua forma, responder à necessidade de como dar
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| 15 | forma ao processo de desenvolvimento, para que ele flua e assegure que os
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| 16 | requisitos levantados sejam atendidos, que os membros envolvidos no processo,
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| 17 | tanto de desenvolvimento em si, quanto dos atores que o demandam tenham seus
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| 18 | anseios respondidos de forma minimamente transparente e satisfatória.
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| 19 |
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| 20 | Além disso, a escolha de uma boa metodologia, adequada para as necessidades do
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| 21 | sistema, permite que os prazos de entrega sejam melhor controlados e mais
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| 22 | precisos \cite{pressman:2021}, minimizando a ocorrência de falhas e gestão do
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| 23 | tempo.
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| 24 |
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| 25 | As ideias fundamentais que norteiam esse projeto são baseadas em dois conceitos
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| 26 | chaves da engenharia de \textit{software}: desenvolvimento incremental e
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| 27 | desenvolvimento de \textit{software} ágil. O IEEE define que a engenharia de
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| 28 | \textit{software} é:
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| 29 |
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| 30 | \begin{quote}
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| 31 | Engenharia de \textit{software}: A aplicação de uma abordagem sistemática,
|
| 32 | disciplinada e quantificável no desenvolvimento, na operação e na manutenção de
|
| 33 | \textit{software}; isto é, a aplicação de engenharia ao \textit{software}.
|
| 34 | \cite[p.~67, tradução nossa]{ieee:1990}
|
| 35 | \end{quote}
|
| 36 |
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| 37 | Portanto, a engenharia de \textit{software} propõe estruturar a criação de
|
| 38 | \textit{software} de forma mais organizada e eficiente. Pressman vai dar um
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| 39 | destaque para os modelos de desenvolvimento de \textit{software} sequenciais e
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| 40 | incrementais que moldam boa parte das práticas de engenharia de
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| 41 | \textit{software} nas últimas décadas.
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| 42 |
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| 43 | O modelo em cascata (\textit{waterfall}) é um modelo sequencial, dos mais
|
| 44 | tradicionais e antigos a existirem, cujo qual necessita que cada etapa --
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| 45 | levantamento de requisitos, projeto, implementação, testes -- estejam
|
| 46 | concluídas antes da próxima etapa começar. Embora forneça uma estrutura rígida
|
| 47 | e lógica, é frequentemente criticado pela baixa adaptabilidade em relação às
|
| 48 | mudanças durante o processo de desenvolvimento.
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| 49 |
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| 50 | Em outro âmbito, o modelo incremental, trabalha com a premissa de que um
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| 51 | desenvolvimento, feito em pequenas porções, agrupam-se para totalizar o projeto
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| 52 | em si. Trabalho a concepção de incrementos funcionais, permitindo uma maior
|
| 53 | flexibilidade com as mudanças no processo ao todo. Também ajuda a iterar
|
| 54 | rápidamente em cima do desenvolvimento do sistemas, criando um produto mínimo
|
| 55 | viável, que possa preencher a proposta, usando o mínimo de tempo, reduzindo as
|
| 56 | funcionalidades ao seu estado basal. Essa metodologia também ajuda a reduzir
|
| 57 | custos e riscos, já que necessita que as funcionalidades estejam em seu estado
|
| 58 | mínimo, porém funcionais.
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| 59 |
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| 60 | Outros modelos tradicionais citados por Pressman incluem o modelo de
|
| 61 | prototipação e o modelo em espiral, o primeiro trabalhando na ideia de
|
| 62 | elaboração de protótipos pequenos que validem a hipótese, e depois passe para a
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| 63 | implementação final; e o modelo em espiral une a natureza iterativa da
|
| 64 | prototipação com os aspectos sistemáticos do modelo em cascata, sendo que acaba
|
| 65 | por ser um modelo geralmente usado para desenvolvimento de aplicações em larga
|
| 66 | escala, visto que oferece mais segurança ao processo de desenvolvimento. Apesar
|
| 67 | da influência histórica, tais modelos acabam por serem um tanto quanto
|
| 68 | burocráticos e em um projeto com um escopo de equipe reduzida e onde necessita
|
| 69 | um nível de flexibilidade maior, como este, portanto, uma adoção de uma
|
| 70 | metodologia mais flexível se faz necessária.
|
| 71 |
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| 72 | Pressman, comenta que, por meados de 2001, um grupo de desenvolvedores
|
| 73 | deflagrou o "Manifesto Ágil", um documento desenhando uma nova metodologia de
|
| 74 | desenvolvimento, destacando a satisfação dos patrocinadores do sistema,
|
| 75 | entregas mais rápidas, flexibilidade durante o desenvolvimento do
|
| 76 | \textit{software} de forma a evitar que os desenvolvedores ficassem empacados e
|
| 77 | reduzissem rigidez. Os principais destaques da abordagem ágil é a proposta de
|
| 78 | que a mesma não é escrita em pedra, ou seja, permite flexibilidade no como
|
| 79 | aplicá-la. Nesse cenário, existem algumas abordagens sobre ela, como o
|
| 80 | \textit{Kanban} e o \textit{Scrum}, que dão um pouco mais de forma a ideia
|
| 81 | apresentada com o desenvolvimento ágil o que casa relativamente bem com o
|
| 82 | modelo de desenvolvimento incremental.
|
| 83 |
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| 84 | Com base nesse panorama, o presente trabalho adota uma abordagem baseada na
|
| 85 | filosofia ágil, estruturada por meio da utilização de um quadro de Kanban,
|
| 86 | adaptado à realidade de um desenvolvimento individual. Diferentemente de
|
| 87 | modelos tradicionais que envolvem um maior formalismo, o \textit{Kanban}
|
| 88 | permite visualizar e gerenciar o fluxo de trabalho de forma contínua, com foco
|
| 89 | na entrega incremental de funcionalidades. Por ser um método não prescritivo, o
|
| 90 | \textit{Kanban} oferece liberdade para que as tarefas possam ser priorizadas,
|
| 91 | ajustadas ou redefinidas conforme a evolução do desenvolvimento, característica
|
| 92 | especialmente útil quando há apenas um desenvolvedor responsável por todas as
|
| 93 | etapas do processo. Vale ressaltar também, que a metodologia adotada acaba por
|
| 94 | ajudar a manter o fluxo de desenvolvimento contínuo sem sobrecarga, já que
|
| 95 | limita a quantidade de tarefas em progresso, gerando um movimento de maior
|
| 96 | produtividade e entregas.
|
| 97 |
|
| 98 | A escolha pelo \textit{Kanban}, portanto, oferece um equilíbrio sustentável
|
| 99 | entre estrutura e flexibilidade, permitindo que o desenvolvimento avance de
|
| 100 | maneira organizada, e sem os entraves burocráticos dos modelos mais rígidos.
|
| 101 | Essa abordagem permite que o projeto se beneficie dos princípios ágeis, tais
|
| 102 | como a entrega contínua de valor, adaptação a mudanças e foco na simplicidade,
|
| 103 | ao mesmo tempo que mantém o controle sobre o progresso e a qualidade do produto
|
| 104 | final.
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| 105 |
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| 106 | \section{Metodologia de Pesquisa}
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| 107 |
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| 108 | Entende-se por pesquisa científica, a investigação de um fenômeno, de forma a
|
| 109 | encontrar a solução para algum problema \cite{Coelho:2020}. Portanto, a
|
| 110 | metodologia científica se torna o conjunto de procedimentos para esta
|
| 111 | investigação, cujo qual perpassa a coleta e análise de dados. Neste capítulo,
|
| 112 | abordaremos as metodologias adotadas e suas respectivas justificativas, para
|
| 113 | além dos dados encontrados para tal.
|
| 114 |
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| 115 | \subsection{Tipo de Pesquisa}
|
| 116 |
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| 117 | Segundo \cite{Lakatos:2022}, a pesquisa científica pode ser classificada
|
| 118 | quanto aos seus objetivos como exploratória, descritiva ou explicativa. Este
|
| 119 | trabalho caracteriza-se principalmente como uma pesquisa aplicada de natureza
|
| 120 | exploratória, uma vez que busca investigar práticas, limitações e necessidades
|
| 121 | relacionadas a ferramentas digitais para acompanhamento emocional, com o
|
| 122 | objetivo de desenvolver uma solução tecnológica prática.
|
| 123 |
|
| 124 | Conforme Jung (2009), a pesquisa aplicada visa gerar conhecimento para
|
| 125 | aplicação direta em problemas específicos, com interesse prático e utilitário,
|
| 126 | sendo comum em projetos de desenvolvimento de \textit{software}, especialmente
|
| 127 | nas áreas de Sistemas de Informação e Ciência da Computação, nas quais o
|
| 128 | produto final visa resolver uma demanda concreta do público-alvo.
|
| 129 |
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| 130 | \subsection{Instrumento de coleta de dados}
|
| 131 |
|
| 132 | Como instrumento de coleta de dados, optou-se pela aplicação de um questionário
|
| 133 | estruturado, elaborado com o intuito de compreender hábitos, preferências e
|
| 134 | resistências de usuários em relação ao uso de aplicativos voltados para o
|
| 135 | acompanhamento emocional e práticas de autorreflexão.
|
| 136 |
|
| 137 | A escolha do questionário se justifica pela sua abrangência, agilidade na
|
| 138 | coleta de dados e facilidade de análise quantitativa e qualitativa. Além disso,
|
| 139 | como a amostra é composta por usuários potenciais, a aplicação do questionário
|
| 140 | de forma digital (via um formulário online) permite alcançar um público mais
|
| 141 | amplo com baixo custo e maior comodidade, como também reforça Jung (2009).
|
| 142 |
|
| 143 | O questionário, disponível no Apêndice B, foi bem recebido, e obteve por volta
|
| 144 | de 52 respostas válidas. Como a divulgação foi de forma aberta, existia uma
|
| 145 | pergunta inicial com uma função chaveadora, a fim de verificar se os
|
| 146 | respondentes se encaixavam no perfil de potenciais usuários. Isso se justifica
|
| 147 | pela natureza sensível do tema, que envolve saúde mental e experiências
|
| 148 | subjetivas.
|
| 149 |
|
| 150 | Na pergunta ``Você já teve algum interesse ou experiência com o monitoramento do
|
| 151 | seu humor ou estado emocional?'', apenas 8\% afirmaram que não tem e não teriam
|
| 152 | interesse em realizar esse tipo de acompanhamento. Esse dado corrobora outro
|
| 153 | resultado relevante: 53\% dos participantes afirmaram já ter, em algum momento
|
| 154 | da vida, realizado algum tipo de monitoramento de humor.
|
| 155 |
|
| 156 | Em outros horizontes, mais da metade dos participantes expressou interesse em
|
| 157 | acompanhar como o humor varia ao longo do tempo, muitas vezes com sugestões
|
| 158 | explícitas como: “Seria legal ver um gráfico semanal ou mensal do meu humor”.
|
| 159 | Tal observação reforça a receptividade dos participantes em relação à ideia de
|
| 160 | detecção de padrões emocionais, sugerindo que esse tipo de funcionalidade
|
| 161 | representa um diferencial positivo frente aos aplicativos existentes.
|
| 162 |
|
| 163 | É notável que os participantes demonstram uma preocupação recorrente com a
|
| 164 | privacidade dos dados coletados. Aproximadamente 67\% dos participantes
|
| 165 | indicaram desconforto com a exposição de suas informações em plataformas que
|
| 166 | não explicam de forma clara como os dados são usados ou armazenados. Essa
|
| 167 | percepção está alinhada com a literatura sobre saúde digital. Por exemplo,
|
| 168 | \cite{Iwaya:22}, argumentam que a ausência de mecanismos transparentes de
|
| 169 | consentimento, controle e anonimização pode minar a confiança dos usuários em
|
| 170 | aplicativos de bem-estar e monitoramento contínuo de saúde, especialmente em
|
| 171 | contextos sensíveis como saúde mental.
|
| 172 |
|
| 173 | Outro ponto importante revelado pelo levantamento é o desejo por um tom mais
|
| 174 | humano, subjetivo e acolhedor. Cerca de 52\% dos participantes relataram
|
| 175 | incômodo com ferramentas que adotam uma linguagem genérica, motivacional ou
|
| 176 | automatizada demais. Isso reforça a necessidade de uma interface mais empática,
|
| 177 | que valorize tanto a escrita livre quanto a análise assistida. Também foram
|
| 178 | mencionadas sugestões de funcionalidades consideradas excepcionais, como
|
| 179 | inferência automática de ciclos de humor (66\% demonstraram interesse),
|
| 180 | personalização da forma de visualização das informações (como gráficos ou
|
| 181 | comparativos), e integração com dados contextuais ou ambientais, reforçando a
|
| 182 | ideia de um sistema que vá além do simples diário, oferecendo inteligência
|
| 183 | emocional útil, mas sem perder a sensibilidade que o tema exige.
|
| 184 |
|
| 185 | \subsection{Análise de Similares}
|
| 186 |
|
| 187 | % TODO: reescrever, arrumar citação
|
| 188 | A metodologia trata-se de uma avaliação sobre os sistemas relacionados ao tema
|
| 189 | proposto, observando e levantando desafios e possibilidades, validação de
|
| 190 | \textit{softwares} e a satisfação dos usuários (Martins, 2018). Seguindo assim,
|
| 191 | foram pesquisados sistemas similares encontrados na internet com o objetivo de
|
| 192 | realizar uma revisão crítica-reflexiva, analisando os aplicativos que oferecem
|
| 193 | algum tipo de diário digital de humor, ou permite algum acompanhamento
|
| 194 | reflexivo de variações de emoções.
|
| 195 |
|
| 196 | Para realizar esse processo, de forma a simular também um usuário, foi
|
| 197 | pesquisado na Google Play Store \footnote{Google Play Store — Disponível em:
|
| 198 | https://play.google.com}, por \textit{mood tracker}, retornando centenas de
|
| 199 | resultados. Nesse quesito, estabeleceu os seguintes critérios objetivos: (1)
|
| 200 | pode ser um aplicativo em português ou inglês; (2) o aplicativo tem que
|
| 201 | apresentar algum tipo de gráfico das entradas feitas (3) tem que possuir
|
| 202 | entrada textual.
|
| 203 |
|
| 204 | \subsubsection{Baseline}
|
| 205 |
|
| 206 | O Baseline é um aplicativo de código aberto voltado ao acompanhamento do
|
| 207 | bem-estar emocional por meio de uma abordagem minimalista. A ferramenta permite
|
| 208 | o registro diário de humor utilizando entradas textuais ou gravações de áudio,
|
| 209 | além de disponibilizar notificações personalizadas e revisões periódicas dos
|
| 210 | registros realizados.
|
| 211 |
|
| 212 | Entre os aspectos observados, destaca-se a natureza open-source da aplicação,
|
| 213 | característica que favorece a transparência e a possibilidade de adaptação por
|
| 214 | terceiros. Sua interface apresenta baixo nível de complexidade e reduz a
|
| 215 | quantidade de interações necessárias para o registro das informações.
|
| 216 | Entretanto, o sistema não oferece visualizações temporais avançadas nem
|
| 217 | mecanismos de personalização mais aprofundados. Além disso, o acompanhamento
|
| 218 | emocional é realizado principalmente por meio de uma pontuação de humor, sem
|
| 219 | identificar ciclos emocionais ou relacionar registros a gatilhos e intervenções
|
| 220 | específicas.
|
| 221 |
|
| 222 | \begin{figure}[H]
|
| 223 | \centering
|
| 224 | \caption{Aplicativo Baseline}
|
| 225 | \label{fig:screenshot-baseline}
|
| 226 | \includegraphics[width=0.40\textwidth,height=0.40\textheight,keepaspectratio]{screenshot-baseline.jpeg}
|
| 227 | \source{O autor}
|
| 228 | \end{figure}
|
| 229 |
|
| 230 | \subsubsection{DailyBeans}
|
| 231 |
|
| 232 | O DailyBeans é um dos aplicativos de monitoramento de humor mais populares
|
| 233 | disponíveis atualmente, possuindo como principal característica a simplicidade
|
| 234 | de uso. O sistema utiliza ``feijões'', e possui uma linguagem bem lúdica e
|
| 235 | informal, além de categorias de sentimentos e atividades para facilitar o
|
| 236 | registro rápido do estado emocional do usuário.
|
| 237 |
|
| 238 | Entre suas funcionalidades estão o registro de humor, categorização de
|
| 239 | atividades, geração de gráficos históricos. A aplicação apresenta boa qualidade
|
| 240 | visual e fornece recursos adequados para o acompanhamento da evolução do humor
|
| 241 | ao longo do tempo. O usuário do aplicativo também consegue relacionar
|
| 242 | indicadores de sono, como momento em que foi dormir e momento que acordou.
|
| 243 |
|
| 244 | Como limitações, observa-se que o software possui código fechado e restringe
|
| 245 | parte de suas funcionalidades mais avançadas à versão paga. Além disso, o foco
|
| 246 | em registros rápidos reduz a flexibilidade para inserção de reflexões textuais
|
| 247 | mais detalhadas.
|
| 248 |
|
| 249 |
|
| 250 | \begin{figure}[H]
|
| 251 | \centering
|
| 252 | \caption{Aplicativo DailyBeans}
|
| 253 | \label{fig:screenshot-dailybeans}
|
| 254 | \includegraphics[width=0.40\textwidth,height=0.40\textheight,keepaspectratio]{screenshot-dailybeans.jpeg}
|
| 255 | \source{O autor}
|
| 256 | \end{figure}
|
| 257 |
|
| 258 | \subsubsection{DailyMood}
|
| 259 |
|
| 260 | DailyMood é um aplicativo voltado ao registro cotidiano do estado emocional,
|
| 261 | oferecendo uma solução enxuta para acompanhamento de humor. Sua
|
| 262 | proposta baseia-se em uma interação mínima, permitindo que o usuário
|
| 263 | selecione rapidamente o sentimento predominante do dia, sem a necessidade
|
| 264 | de descrições extensas. Os registros são organizados em um calendário
|
| 265 | visual, o que facilita a leitura histórica e a identificação de padrões
|
| 266 | emocionais ao longo do tempo.
|
| 267 |
|
| 268 | Apesar dos recursos disponíveis, trata-se de uma solução bastante
|
| 269 | simples, embora não necessite de contas. Adicionalmente, apresenta
|
| 270 | limitações relacionadas à exportação dos dados registrados e à
|
| 271 | personalização das informações armazenadas.
|
| 272 |
|
| 273 | \begin{figure}[H]
|
| 274 | \centering
|
| 275 | \caption{Aplicativo DailyMood}
|
| 276 | \label{fig:screenshot-dailymood}
|
| 277 | \includegraphics[width=0.40\textwidth,height=0.55\textheight,keepaspectratio]{screenshot-dailymood.jpeg}
|
| 278 | \source{O autor}
|
| 279 | \end{figure}
|
| 280 |
|
| 281 | \subsubsection{Reflectly}
|
| 282 |
|
| 283 | O Reflectly é um aplicativo de diário pessoal que utiliza recursos de
|
| 284 | inteligência artificial para promover práticas de autorreflexão e
|
| 285 | acompanhamento emocional. Sua proposta enfatiza a experiência do usuário e a
|
| 286 | construção de narrativas pessoais a partir dos registros realizados.
|
| 287 |
|
| 288 | Entre suas funcionalidades estão entradas textuais livres, perguntas guiadas
|
| 289 | diárias, análises emocionais automatizadas e personalização visual da
|
| 290 | interface. O sistema apresenta uma experiência moderna e intuitiva,
|
| 291 | incentivando o uso contínuo por meio de elementos de engajamento.
|
| 292 | Um ponto interessante é o fato do aplicativo separar o ``humor'' dos
|
| 293 | ``sentimentos'', permitindo que os usuários avaliem ambos de forma
|
| 294 | independente.
|
| 295 |
|
| 296 | Como pontos observados, destaca-se o fato de ser uma solução proprietária e
|
| 297 | dependente de coleta significativa de dados para alimentar seus mecanismos de
|
| 298 | análise. Outro ponto negativo é o fato de que o aplicativo apresenta
|
| 299 | elementos como estatísticas e histórico, porém necessita de uma conta
|
| 300 | paga para acessar esses recursos.
|
| 301 |
|
| 302 | Além disso, sua abordagem está mais voltada ao diário pessoal do que
|
| 303 | ao acompanhamento sistemático de indicadores de saúde mental.
|
| 304 |
|
| 305 | \begin{figure}[H]
|
| 306 | \centering
|
| 307 | \caption{Aplicativo Reflectly}
|
| 308 | \label{fig:screenshot-reflectly}
|
| 309 | \includegraphics[width=0.40\textwidth,height=0.55\textheight,keepaspectratio]{screenshot-reflectly.jpeg}
|
| 310 | \source{O autor}
|
| 311 | \end{figure}
|
| 312 |
|
| 313 | \subsubsection{eMoods}
|
| 314 |
|
| 315 | O \textit{eMoods} é um aplicativo de registro de humor especificamente para
|
| 316 | pessoas com TAB. O aplicativo tem uma interface bem compacta, bastante
|
| 317 | poluída visualmente, em estilo formulário de entrada de dados.
|
| 318 |
|
| 319 | O aplicativo consegue registrar dados de sono, além de perguntas como
|
| 320 | ansiedade, estado depressivo, e outras coisas como ``você praticou higiene
|
| 321 | pessoal?'', ``você tomou medicamentos?'', ``você se alimentou bem?'' e afins.
|
| 322 | Um ponto positivo é que o aplicativo também permite exportar os dados em
|
| 323 | formato CSV e gerar relatórios em formato PDF.
|
| 324 |
|
| 325 | Entretanto, a aplicação apresenta limitações relacionadas à experiência do
|
| 326 | usuário, possuindo interface considerada desatualizada quando comparada a
|
| 327 | soluções contemporâneas. Também não oferece suporte para registros textuais
|
| 328 | extensos ou entradas por voz, além de ser muito confuso de usar.
|
| 329 |
|
| 330 | \begin{figure}[H]
|
| 331 | \centering
|
| 332 | \caption{Aplicativo eMoods}
|
| 333 | \label{fig:screenshot-emoods}
|
| 334 | \includegraphics[width=0.40\textwidth,height=0.55\textheight,keepaspectratio]{screenshot-emoods.jpeg}
|
| 335 | \source{O autor}
|
| 336 | \end{figure}
|
| 337 |
|
| 338 | \FloatBarrier
|
| 339 |
|
| 340 | \subsection{Análise comparativa}
|
| 341 |
|
| 342 | \begin{table}[H]
|
| 343 | \centering
|
| 344 | \caption{Comparativo de funcionalidades entre aplicativos analisados}
|
| 345 | \label{tab:comparativo_apps}
|
| 346 | \begin{tabular}{lccccc}
|
| 347 | \hline
|
| 348 | Funcionalidade &
|
| 349 | Baseline &
|
| 350 | DailyBeans &
|
| 351 | DailyMood &
|
| 352 | Reflectly &
|
| 353 | eMoods \\
|
| 354 |
|
| 355 | \hline
|
| 356 | Registro de humor & Sim & Sim & Sim & Sim & Sim \\
|
| 357 | Registro de sono & Não & Não & Não & Não & Sim \\
|
| 358 | Texto livre & Sim & Parcial & Sim & Sim & Sim \\
|
| 359 | Gráficos & Não & Sim & Sim & Sim & Sim \\
|
| 360 | Gatilhos/intervenções & Não & Parcial & Não & Não & Parcial \\
|
| 361 | Exportação de dados & Sim & Parcial & Parcial & Parcial & Sim \\
|
| 362 | Código aberto & Sim & Não & Não & Não & Não \\
|
| 363 | \hline
|
| 364 | \end{tabular}
|
| 365 | \source{Elaborado pelo autor (2026)}
|
| 366 | \end{table}
|
| 367 |
|
| 368 | Com esses dados em mente, podemos compreender alguns elementos fundamentais:
|
| 369 | poucos sistemas analisados são \textit{open-source}, o que indica que, em sua
|
| 370 | grande maioria, são sistemas comerciais. A maior parte dos sistemas também
|
| 371 | oferecem algum aspecto de pagamento, bloqueando funcionalidades importantes
|
| 372 | atrás de algum tipo de modelo de subscrição. Existe também o fato de
|
| 373 | personalização e de exportação de dados, que poucos ou nenhum sistema oferece,
|
| 374 | o que faz com que o sistema não tenha portabilidade dos dados inseridos,
|
| 375 | criando assim, um \textit{walled garden}, ou um jardim fechado -- uma técnica de
|
| 376 | fazer com que o usuário não consiga migrar entre sistemas, prendendo-o a usar
|
| 377 | aquela aplicação já que seus dados estão lá.
|
| 378 |
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| 379 | \subsection{Relação entre os dados coletados e o desenvolvimento}
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| 381 | A análise dos sistemas similares, quando considerada em conjunto com os dados
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| 382 | coletados por meio do questionário, revela lacunas e oportunidades relevantes
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| 383 | para o desenvolvimento de uma nova solução. Observa-se, por exemplo, que a
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| 384 | maior parte das ferramentas disponíveis no mercado segue modelos comerciais,
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| 385 | frequentemente com funcionalidades essenciais bloqueadas por sistemas de
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| 386 | pagamento ou assinaturas. Além disso, é comum que tais sistemas sejam fechados,
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| 387 | sem disponibilização de código-fonte ou possibilidade de exportação dos dados
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| 388 | inseridos, o que configura uma prática de \textit{walled garden}, dificultando
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| 389 | a migração entre plataformas e restringindo a autonomia dos usuários sobre suas
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| 390 | próprias informações.
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| 392 | Esses aspectos, quando contrastados com o interesse expressivo dos respondentes
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| 393 | por visualizar padrões emocionais ao longo do tempo e por maior personalização,
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| 394 | sugerem direções claras para o desenvolvimento de um sistema que não apenas
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| 395 | atenda a essas demandas, mas também adote princípios de transparência, abertura
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| 396 | e controle por parte do usuário. A seguir, serão discutidas as decisões de
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| 397 | projeto que nortearam a construção da ferramenta proposta, baseadas tanto nas
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| 398 | limitações identificadas nos sistemas existentes quanto nas necessidades e
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| 399 | expectativas manifestadas pelo público-alvo da pesquisa.
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